Amanhã, 1º de julho, começa o maior evento de ciclismo do mundo. A corrida que influencia ciclistas a começarem a pedalar desde 1903: o tour de France. A 103ª edição vem em 2017 com várias mudanças estratégicas no percurso, fazendo com que seja um dos mais emocionantes da história. Este ano, o Tour apresenta um estágio de apenas 100km de distância, o mais curto já feito (excluindo o período quando havia mais de uma etapa por dia). Os organizadores incluíram escaladas desde o início das etapas para favorecer ataques, descobriram novas montanhas desafiantes e deixaram de lado outras icônicas, como o Mont Ventoux, por exemplo.

Neste texto vamos falar sobre os pontos mais importantes da corrida, como serão todas as etapas e os favoritos às quatro principais premiações. São distribuídas quatro camisas:

Camisa amarela de vencedor geral: É entregue ao ciclista que percorrer os 21 estágios no menor tempo.

Camisa verde do sprinter – É dada ao melhor sprinter, aquele que acumulou o maior número de pontos nas chegadas planas e nos sprints intermediários.

Camisa branca com bolinhas do escalador – Leva quem acumular o maior número de pontos em chagadas nas montanhas e nas escaladas intermediárias.

Camisa branca do melhor jovem – É concedida ao ciclista com menos de 26 anos mais bem classificado no geral.


CONCORRENTES

Chris Froome (SKY) é o atual tricampeão e grande favorito ao título. Mas sua temporada 2017 foi uma das piores da carreira, o que faz com que seu favoritismo tenha enfraquecido, frente à performance supreendente de outros favoritos como o australiano Richie Porte (BMC), ex-colega de equipe de Froome. Porte perdeu a vitória do Critérium du Dauphiné, corrida que precede o Tour, por alguns segundos, depois de mostrar uma performance nunca antes vista tanto nas montanhas, quanto no contra-relógio. O próprio Froome, em entrevistas à imprensa, colocou Porte como o homem a ser batido este ano.

Richie Porte é apontado pelo ex-colega e tricampeão do TdF, Chris Froome, como o favorito ao título em 2017

Nairo Quintana teve um início de temporada arrebatador, com apresentações dominantes no Tirreno Adriatico e na Volta a la Comunitat Valenciana, vencendo as duas competições. Ele vinha com objetivos ousados de vencer o “double” Giro D’Italia e Tour de France no mesmo ano, mas teve sua ambição frustrada por um Tom Dumoulin (Team Sunweb) inspirado e um percurso com muitos quilômetros de contra-relógio (CR) no primeiro grand tour do ano, na Itália. Mas agora a história é diferente. Dumoulin não corre o Tour e serão apenas 36,5km de CR nas estradas francesas, o que torna Quintana um dos grandes concorrentes.

O segundo lugar geral no ano passado torna o francês Romain Bardet (AG2R La Mondiale) um adversário sério para este ano. Especialistas o consideram um corredor de segunda classe, mas jogar em casa e ter tido resultados expressivos recentemente fazem com que Bardet esteja bem colocado nas casas de apostas.

Romain Bardet chegou em 2º ano passado e quer chegar no pódio novamente em 2017

Alberto Contador é o único ciclista a começar a corrida deste ano com vitórias em todos os três grand tours, e mais de uma vez. É, sem dúvida, o mais experiente do pelotão, o que torna impossível de retirá-lo da lista de favoritos, mesmo que sua performance recentemete tenha minguado em comparação ao seu auge no passado.

Para a camisa verde, o grande favorito é o astro mundial Peter Sagan (Bora-Hansgrohe). Com cinco vitórias em cinco participações, fica difícil apontar concorrentes. Marcel Kittel (Quick-Step Floors) também tem um histórico invejável em vitórias de etapa no Tour, nove no total, mas a versatilidade e a regularidade de Sagan superaram a força do alemão em todas as disputas pela verde até hoje.


PERCURSO

1ª Semana – Etapas 1 a 9

Em 2017, o tour de France começará em Düsseldorf, na Alemanha, com um contra-relógio de 14 km. O traçado plano favorece os especialistas na modalidade, como o alemão Tony Martin (Team Katusha-Alpecin), mas pode apresentar surpresas devido à grande quantidade de curvas fechadas e retomadas de velocidade.

O segundo estágio sai da Alemanha e segue ao sul até Liége, na Bélgica. Deverá ser um dia clássico, com um grupo de escapados e as equipes dos sprinters fazendo a perseguição. Muito provavelmente terminará com um sprint em grupo. O terceiro dia promete ser emocionante para quem gosta de corridas clássicas de primavera. O terreno com muitas subidas curtas não categorizadas, fazem com que especialistas como Phillipe Gilbert, natural de Vervier, sejam os favoritos à vitória.

Sem muitas dificuldades ao longo do dia, o estágio 4 servirá de transição para os concorrentes principais e deve terminar com um sprint em grupo, mas a primeira disputa real pela camisa amarela deverá ocorrer no dia seguinte. A etapa 5 não deve apresentar muitos problemas nos primeiros 154km, mas os seis últimos talvez sejam os mais duros de toda a competição. La Planche des Belles Filles só apareceu três vezes no Tour de France, e foi decisiva para a classificação geral em todas elas. A subida tem gradientes de até 20% no último quilômetro e média de 8,5%. É um dos dias que vale a pena acompanhar.

As etapas 6 e 7 deverão ser ideais para os sprinters e dias de relativo descanso para os contenders, que precisarão guardar as energias para sábado e domingo, quando chegam nos Alpes. O estágio 8 ondula por mais de 160km, passando por uma subida categoria 3 e outra categoria 2, até chegar na montanha de categoria 1 chamada de Montée de la Combe da le Laisia Les Molunes. O nome só não é tão difícil quanto seus 11,7km a 6.4%, seguidos de um planalto de 12km, que deve proporcionar um final emocionante aos espectadores.

O domingo é um dia que não se deve perder sob circunstância nenhuma. A etapa 9 será a etapa rainha deste ano, com 181,5km e nada menos que 4.600m de altimetria positiva. Serão três subidas categorizadas como Hors Concours, consideradas as mais difíceis. O dia já começa em subida, o que deverá proporcionar ataques desde o quilômetro um. Por ser véspera da primeira jornada de descanso, certamente haverá ataques e o tom deve subir na disputa pela camisa amarela.

2ª semana – Etapas 10 a 15

A terça-feira, 11 de julho, deverá ser um dia tranquilo após o merecido repouso dos atletas. O estágio 10 é mais uma oportunidade para os sprinters ou aqueles que quiserem se arriscar em uma fuga. O dia seguinte não deve ser diferente, quando o pelotão chega à cidade de Pau, que é conhecida como a porta de entrada dos Pirineus por abrigar o único aeroporto da região.

A etapa 12 é para os especialistas em montanhas. Com 6 topos categorizados, deverá ser aproveitada por aqueles que buscam levar a camisa branca com bolinhas. A estrada vai ganhando altitude ao longo do dia até chegar em Port de Balés, uma Hors Catégorie de 11,7km a 7,7%. Após uma descida emocionante, o pelotão, ou o que restar dele, subirá mais duas montanhas duríssimas para uma chegada em cume na cidade de Peyragudes, que promete balançar a classificação geral.

Com 101km, a etapa 13 possui o menor percurso já feito no Tour de France. Os organizadores, e especialmente os espectadores esperam muitas emoções, ataques e reviravoltas nesse dia sem precedentes. Serão três montanhas de categoria 1 antes da última descida sinuosa. Em seguida, a caravana segue para uma típica etapa de transição, com pouquíssimos trechos planos e subidas curtas, perfeitas para as fugas e especialistas em provas de um dia.

O 15º dia de corrida será incomum para quem está acostumado a acompanhar o Tour de France. Com uma subida difícil no início e outra que começa a 40km do final será um desafio tático para as equipes. Outra dificuldade é que os atletas passarão boa parte da jornada em altitudes acima de 1000m.

3ª semana – Etapas 16 a 21

A Classificação geral deverá ter forma mais ou menos definida no início da 3ª semana de prova. A etapa 16, entretanto, não deverá testar as pernas dos principais concorrentes, mas a topografia e o acúmulo de cansaço no pelotão pode ajudar na formação de fugas. O dia termina no vale do rio Ródano, que costuma expor as formações ao vento e gerar reviravoltas.

Apesar de não ser uma chegada em cume, a etapa 17 tem três montanhas duríssimas e renomadas ao longo do percurso. Primeiro, passarão pelo Col de la Croix de Fer, com nada menos de 24km a 5,2%. Depois, eles subirão o Col du Télégraphe (11,9km a 7,1%) e logo emendam o Col du Galibier, um colosso de 17,7km a 6,9% de inclinação. A etapa acaba em uma descida vertiginosa de mais de 20km. A expectativa é que os concorrentes mal colocados na classificação arrisquem um ataque e tentem ganhar tempo.

O estágio 18 é a última chance para os escaladores tentarem recuperar oportunidades perdidas. É uma das três chegadas em cume do evento. Os ciclistas percorrerão 120km até a primeira dificuldade real, o Col de Vars, de categoria 1. Em seguida eles descem e tornam a subir imediatamente o Col d’Izoard, de 14,1km, sendo que os últimos quilômetros têm quase 10% de inclinação média.

 

 

 

 

 

A corrida provavelmente estará definida após o Izoard. A não ser que a disputa esteja tão acirrada que os corredores precisem do contra-relógio de 22,5km em Marselha para acertar as contas, na etapa 20. O último e curtíssimo estágio de 103 km de Montgeron ao Champs Élysées consagra a festa do campeão e coroa o sprinter vencedor na mais charmosa chegada do ciclismo mundial.