A temporada de ciclismo internacional chega num ponto decisivo. Amanhã, 5 de maio, começa o Giro D’Italia, o primeiro Grand Tour de 2017, onde as principais estrelas mundiais irão se digladiar por 3.572km em três semanas para escrever seu nome na história. O Giro deste ano não é um Giro qualquer. A prova mais charmosa do mundo chega à sua centésima edição prometendo celebrar o ciclismo italiano em alto estilo e, como sempre, acompanhado de paisagens irretocáveis.

Para comemorar esta edição especial, os organizadores montaram uma rota que passa por quase todas as regiões italianas, incluindo a Sardenha, onde ocorrerão as três primeiras etapas desenhadas sobretudo para os sprinters e puncheursApós um dia de descanso, a quarta etapa será na Sicília, onde os competidores pedalarão até o famoso Monte Etna, a primeira chegada em montanhaNessa fase, o pelotão ainda estará com as pernas relativamente frescas e os nomes menos considerados nas mesas de apostas podem surpreender na classificação geral.

A 4ª etapa do Giro traz prematuramente a primeira chegada em montanha, no monte Etna.

O Blockhaus deve sacudir o pelotão na etapa 9.

A rota segue para o norte passando pela região da Toscana. Sem maiores dificuldades, os sprinters devem reinar nos estágios 5, 6, 7 e 8 do Giro. Mas no estágio 9, o pelotão escalará o Blockhaus, uma subida brutal de 13,6km, e média de 9% nos últimos 10km, que promete deixar os principais desafiantes ouriçadosA classificação geral começa a ganhar forma, e apesar de ainda não ser possível saber quem irá vencer, poderemos ter alguns perdedores após o Blockhaus.

Depois de uma jornada de descanso, é dia dos especialistas em contra-relógio. O estágio 10 terá um percurso longo de 39,8km, que seguirá a tendência das últimas edições e será relativamente ondulado. Tom Dumoulin (Equipe Sunweb), Geraint Thomas (Equipe Sky), Tejay van Garderen e Rohan Dennis (Equipe BMC) e os outros favoritos à classificação geral devem se destacar.

 

O 10º estágio, de contra-relógio, deverá ser uma surpresa por conta das subidas e descidas.

Os estágios 11 e 12 cruzam a cordilheira dos Apeninos, conhecida como a espinha dorsal da Itália. Estes estágios intermediários prometem ser bastante emocionantes com possibilidades de vitórias solo épicas de grandes escaladores. Os desafios certamente irão testar a força daqueles que ambicionam a classificação geral.

Os sprinters terão a última oportunidade de atingir a glória na etapa 13. Serão 167km de estradas virtualmente planas, antes do estágio 14, que pode ser decisivo para o geral. Após rodar 120km em autoestradas perfeitamente pavimentadas, largas e planas, o pelotão chegará aos pés do monte Biella. A chegada no Santuario di Oropa, depois de 11km de subida com gradientes entre 7% e 13% e calçamento de pedra dará um final de corrida belo e emocionante.

A chegada no Santuário di Oropa promete emoção e beleza aos telespectadores.

A chegada no santuário fecha a segunda semana e precede o último dia de descanso, antes dos sete dias derradeiros e cinco estágios de montanha no centésimo Giro d’Italia.

O 15º ficou com ar de aquecimento perto dos dias que se seguirão para os ciclistas que sobreviveram até agora. O Cima Coppi, nome dado pelos organizadores para a montanha mais alta da corrida será no Monte Stelvia, com 2758 metros de altitude, no 16º estágio.

A etapa 17 segue para o norte através do Passo del Tonale e do Al di Non para chegar em uma escalada gradual até Canazei. Mas o ponto mais importante do Giro será apenas no dia seguinte, que terá nada menos que cinco grandes montanhas acima de 2000m de altitude. O estágio 18 provavelmente definirá o grande favorito ao título.

Começando em Moena, o pelotão seguirá para o coração dos Dolomitas, cadeia montanhosa localizada na parte oriental dos Alpes. A organização do evento se orgulha de ter elaborado esta etapa “sem nenhum pedacinho plano sequer” e com 4000 metros de altimetria em 137km. A última escalada do dia será a do Monte St. Ulrich, cujo topo fica a 4km da linha final, que terá uma chegada em dificuldade com rampas de até 13% nos últimos 500 metros.

Curto, mas com 4000 metros de altimetria, o 18º estágio deve dar forma à classificação geral.

 

Os estágios 19 e 20 têm chegadas decisivas, que devem ser marcadas pelas disputas dos principais escaladores como Nairo Quintana e Vincenzo Nibali. O pelotão estará totalmente controlado pelas maiores equipes, o que dificultará muito as escapadas.

Um último contra-relógio entre Monza e Milão, de 29,3km, será a chance final dos especialistas desta modalidade de tentar recuperar algum tempo dos escaladores e tentar mudar a classificação geral a seu favor.

Apesar da ausência de Chris Froome (Sky) e Alberto Contador (Trek), todas as outras estrelas do ciclismo disputarão a alcunha de centésimo campeão do Giro. Nairo Quintana (Movistar) chega com a missão de vencer sem se desgastar demais para viabilizar a conquista do “Giro-Tour double”. Mesmo com a ausência de Alejandro Valverde ao seu lado, as performances do colombiano no início da temporada foram muito convincentes, o que o coloca como um dos inquestionáveis favoritos.

Nairo Quintana e Vincenzo Nibali.

O bi-campeão Vincenzo Nibali (Bahrain-Merida) vem como a esperança italiana e também deve disputar o lugar mais alto do pódio. Geraint Thomas (Sky) e Thibaut Pinot (FDJ) correrão a Corsa Rosa pela primeira vez como líderes de suas equipes, certamente com a motivação altíssima e querendo provar as suas qualidades como corredores de Grand Tours. Além deles, nomes como Adam Yates (Orica-Scott), Steven Kruijswijk (LottoNL-Jumbo) e Bauke Mollema (Trek-Segafredo) devem alcançar as posições mais elevadas da “classifica generale”.

Thibaut Pinot.