A base de quase todos os programas de treinamento para ciclistas são as séries intervaladas. Mas, você sabe como nasceu essa metodologia? Ela foi desenvolvida na base do erro e acerto para corredores, ainda na virada do século XIX para o século XX. Como à época ainda não havia muito conhecimento sobre fisiologia e tecnologia disponível para quantificar os ganhos, os métodos ainda eram pouco científicos.

A partir de 1910, treinadores e atletas finlandeses estruturaram melhor os programas e passaram a misturar longas corridas contínuas com séries intervaladas. O técnico Lauri Pikhala ficou conhecido por colocar em prática esta nova forma de treinar. Apelidados como finlandeses voadores, atletas desta nacionalidade dominaram provas de meio fundo e fundo nos anos 1910 e 1920.

Alguns dos maiores corredores da história provaram empiricamente a superioridade desta sistemática:  Hannes Kolehmainen foi o medalhista de ouro nos 5k, 10k e 8k cross country nos jogos olímpicos de 1912. Paavo Nurmi, ganhou nove ouros entre 1920 e 1928. Ville Ritola levou quatro ouros em Nos jogos de Paris em 1924.

Mas qual a explicação científica para esse desempenho? Hoje é possível compreender que o corpo humano consegue exercer mais trabalho quando realiza um exercício intermitente, do que de forma contínua.

Ou seja, é cientificamente provado que fazer duas séries de 10 minutos a um ritmo determinado exige menos esforço que fazer uma série contínua de 20 minutos na mesma cadência, enquanto os ganhos fisiológicos são semelhantes. Portanto, o atleta conseguiria treinar por mais tempo ou de forma mais intensa, com o mesmo desgaste físico.

A partir de 1930, o que era aplicado instintivamente pelos finlandeses começou a ter contornos científicos na Alemanha. O técnico Woldemar Gerschler inseriu o que tinha de mais avançado tecnologicamente para medir os batimentos cardíacos dos atletas e criar um método que mudaria o mundo do atletismo.

Gerscher aplica testes cardíacos no fundista inglês Gordon Pirie

Os corredores realizavam tiros entre 100m e 200m com o esforço de 95% da frequência cardíaca máxima. Em seguida, tinham até 1 minuto e 30 segundos para baixar o coração a 120 batimentos por minuto. Caso não conseguisse, a avaliação era a de que o atleta tinha que diminuir o ritmo dos sprints, caso contrário, se exporia ao overtraining. Se o atleta se recuperasse antes, ele teria que começar outro tiro imediatamente.

A evolução dos treinos de Gerschler veio com o atleta tcheco Emil Zatopek, após a segunda guerra mundial. Ele dividia os treinos longos em vários estímulos menores em intensidades altas, para completar a distância total da sessão. Uma de suas séries favoritas era correr 5 tiros de 200m, mais 20 tiros de 400, e finalizar com mais 5 tiros de 200m com intervalos de 200m entre elas em ritmo de trote.

Zatopek em uma de suas performances douradas nas Olimpíadas

Ele também introduziu a ideia de picos de performance. Dizia que trabalhava duas semanas muito intensas para uma semana mais suave ates de tentar um novo recorde. Um conceito primordial até hoje em qualquer modalidade de resistência.

No ciclismo, a lógica é parecida atualmente, mas por muito tempo os treinamentos foram fundamentados em percorrer longuíssimas distâncias no selim sem nutrição ou hidratação, com relações de marcha desproporcionais. Nos anos 1970, entretanto, técnicos britânicos começaram a introduzir equipamentos ergométricos para controlar melhor as sessões dos atletas. Uma potência no esporte até hoje, o Reino Unido foi um dos Estados que mais investiram em pesquisa sobre o desenvolvimento aeróbico de atletas.

Na década seguinte, nos anos 1980, chegaram os medidores cardíacos portáteis, que podiam gravar treinos completos ininterruptamente, o que causou um pico de evolução na performance de atletas profissionais e amadores.

A segunda grande revolução, ocorreu com a introdução dos medidores de potência, que chegaram no mercado há cerca de 20 anos para trazer precisão e eficiência ao esporte. A academia ainda estuda a quantidade enorme de informações que esses aparelhos, somados a monitores cardíacos, velocidade, cadência, pressão, temperatura, altitude e outros inúmeros dados colhidos durante as temporadas.

Softwares como o WKO4, da Training Peaks surgiram com seus algoritmos complicadíssimos capazes de gerar informações valiosas para os treinadores e atletas.

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Fontes:

  • http://magstraining.tripod.com/Learning_From_The_Past.html#A_Brief_History_of_Interval_Training:
  • https://www.brianmac.co.uk/articles/article005.htm
  • http://www.cyclingweekly.com/fitness/training-through-the-ages-37126
  • http://www.racingpast.ca/john_contents.php?id=129