Minas Gerais é, provavelmente, o maior polo de mountain bike (MTB) do país. O relevo montanhoso, com inúmeras serras e trilhas deslumbrantes formaram atletas consagrados mundialmente como Jaqueline Mourão e Bernardo Cruz, além de atrair gente de fora do país como o suíço Lukas Kaufmann, que se instalou na capital mineira e construiu sua família aqui por meio do esporte. A Overthetop Consultoria Esportiva (OCE) participou de um pedaço dessa história trazendo novas tecnologias e uma visão científica sobre treinamento e alta performance.

O ciclismo em Minas, sobretudo o MTB, começou logo que os primeiros equipamentos chegaram por aqui. “Me lembro que eu tinha uns 19 anos e estava tentando vestibular para a Católica, quando as primeiras Calois pretas começaram a chegar em Belo Horizonte. Tive que ficar na fila para comprar uma porque eram poucas unidades”, lembra o veterano do pedal Antônio Gonçalves, o Ticorico, que é testemunha viva dessa história.

Em uma entrevista para a OCE, ele conta que os primórdios do esporte remontam à época quando ainda não existia o BH Shopping nem a Seis Pistas. “Tinha um morro entre o shopping e a avenida. Não tinha nada ali ainda. Os ciclistas pegavam as bicicletas, muitas vezes sem marcha e pedalavam por ali.”

Ele também se recorda de outros picos utilizados nos anos 1980, como o terreno de saltos, localizado onde hoje fica o supermercado Verde Mar, na avenida Senhora do Carmo, por exemplo. “As pessoas da cidade não conheciam direito o mountain bike. Sempre tinha gente assistindo a gente nas rampas”, conta.

“Éramos muito poucos, tão poucos que dava pra saber quem estava na trilha só pelas marcas de pneus na terra. Hoje você vai ao Retiro das Pedras e vê centenas de ciclistas todos os dias”. De lá pra cá, Ticorico ajudou a promover o esporte no estado. Ele saiu de seu emprego formal e abriu a Pedal Verde, uma das primeiras lojas especializadas da capital, além de ter organizado muitas provas de alto nível.

O Iron Biker, segundo ele, foi a competição que popularizou e deu destaque nacional a Minas Gerais. A primeira edição do evento ocorreu em 1993, ainda batizado de Desafio das Montanhas, pioneira no formato de ultramaratonas no Brasil.

Ticorico conta que, de lá para cá, a tecnologia evoluiu muito e as competições se multiplicaram, assim como o número de praticantes. “A gente ia para fora do país para conhecer as provas de lá e trazíamos gringos para eles conhecerem nossa trilhas também. Eles ficavam malucos com as trilhas daqui”, diz. As influências estrangeiras começaram a aparecer e ficou nítida a diferença de performance entre os atletas nacionais e os estrangeiros nos anos 90 e início dos anos 2000.

A OCE entrou nesse mercado com conhecimento científico e com a capacidade de acabar com esse desnível. Foi uma das primeiras empresas do país a trabalhar com aferição de potência no ciclismo, e a utilizar softwares de análise de dados com eficiência. Isso, somado ao surgimento de provas internacionais de alto nível no Brasil e competidores à altura, resolveu a equação.

“Sinto muito orgulho de ter acreditado no MTB desde muito cedo, e ter trazido alguns avanços para cá. Vinte anos depois vejo que foi possível construir muita coisa e fomentar esse maravilhoso esporte, que representa minha vida, meu hobby, meu trabalho, minha alma”, diz Hugo Prado Neto, atleta profissional e fundador da OCE.

Atualmente, o esporte é bastante internacionalizado, e os atletas nacionais correm de igual para igual com os estrangeiros. Órgãos internacionais como a Union Cycliste Internationale (UCI) regulam uma série de eventos no país, o que permite o acúmulo de pontos para as maiores competições do mundo. Um exemplo disso é Copa Internacional de Mountain Bike (CIMTB) e o Brasil Ride, que atraem nomes como o do campeão mundial de MTB maratona, Tiago Ferreira.

Mas, Ticorico lembra que não se pode esquecer o que o esporte realmente significa. “É muito positivo que o Brasil entre nesse cenário, mas não se pode esquecer que o mais importante é se preocupar com o corpo, com a saúde. Isso que é a essência do esporte. Nosso esporte consegue agregar cada dia mais por isso”, explica. Ele ainda ressalta que uma boa forma de conseguir aliar performance e saúde é sempre treinar com quem entende do assunto. “Não se pode ficar muito bitolado na alta performance, sem ter um acompanhamento profissional”.

Seguindo esta premissa, ele criou a primeira ultramaratona por estágios de Minas Gerais, o Cipó Cup, que teve sua primeira edição este ano. O DNA da competição é o mountain bike expedicionário, com trilhas inóspitas, em locais deslumbrantes. “Este ano, a Cipó Cup nasceu. Vamos continuar a fazer esta prova para tirar o máximo dos equipamentos e de ciclistas completos, que sabem navegar, fazer a manutenção da bike, e sobretudo, se prepararam bem para todo tipo de desafio que uma expedição em cima de uma bicicleta possa oferecer”, explica.