Quantas responsabilidades é possível conciliar em uma vida só? Trabalhar, estudar, namorar, sair com amigos, viajar com a família e treinar até cinco vezes por semana. Parece impossível, mas Antônio Freitas é um dos atletas da OCE que conseguem fazer isso tudo e ainda chegar na 5ª colocação da Cipó Cup, uma das provas de mountain bike mais duras de Minas Gerais. Com sua dupla, Helton Cardoso, percorreram os cinco dias de competição com louvor, após muita preparação e disciplina.

A rotina de treinos e preparação para ultramaratonas é uma virtude que vem naturalmente com o tempo, conta Antônio. “Acordo todos os dias às 4h45 da manhã, treino até às 7h30, depois vou para o trabalho de 9h as 18h30 e estudo engenharia civil de 19h as 22h30”. No total, ele acumula cerca de 14 horas semanais de pedal e treinamento funcional, sem deixar de lado as outras atividades da vida normal.

“É preciso ter o tão falado equilíbrio, sabendo que, na maioria das vezes, aquilo possa parecer um extremo. O segredo é estar 100%no que estiver fazendo no momento. Cada coisa com sua hora e sua devida importância”.

Ele garante que, com o tempo, a engrenagem se encaixa e uma função complementa a outra, fazendo com que o trabalho seja mais eficiente, os estudos mais centrados e a vida social mais proveitosa. “Está mais que comprovado que o esporte é essencial para o bem-estar do ser humano. Quando saio de férias da faculdade, por exemplo, sinto que falta alguma coisa, e acaba sendo até complicado ter muito tempo livre”.

Foto: Cristiano Quintino

A 1ª Cipó Cup teve um percurso total de cerca de 300km, e passou por locais selvagens, às vezes sem demarcação, o que exigiu muito da navegação e companheirismo das duplas. O prólogo ocorreu em Zareia, em seguida as duplas foram até Peixe tolo, Curral Sr. Luiz, Lapinha e depois de volta a Zareia, onde foi montado um dos pódios mais bonitos do Brasil, com a Cachoeira Grande ao fundo.

Foto: Cristiano Quintino

Para passar por lugares inóspitos como os da Cipó Cup, foi preciso muito mais que um bom preparo físico das duplas. “É importante encontrar alguém com um preparo semelhante ao seu, mas o mais importane é o respeito e a amizade, porque certamente vai haver momentos de atrito durante os desafios”, define Antônio.

Um desses episódios ocorreu na segunda etapa da prova, quando Antônio sofreu uma baixa no quilômetro 30, dos 75 a serem completados. “Tive uma dificuldade após um segmento muito duro. Foram 1h30 de empurra-bike e ainda faltavam mais de 40km para o fim da etapa. Nesse momento foi importante ter uma dupla que me apoiou, conversou muito comigo ao longo do percurso e, sobretudo pôde compreender a situação”, relata.

O 1º lugar ficou com Uirá Castro e Guilherme Bueno, com o tempo de 10h44min49seg. Em 2º ficaram Maurício Teixeira e Ricardo Purri, com o total de 12h11min45seg, e fechando a 3ª colocação, Lucas Mendes e Flávio Diniz com 12h12min15seg. Fechando o pódio, ficaram Rodrigo Souza e Alessandro Assis, com o tempo de 12h55min37seg e Antônio e Helton, com 13h36min30seg.

Para Antônio e Helton, a competição foi um degrau para o objetivo principal do ano: a ultramaratona Brasil Ride, a maior prova de mountain bike das américas, entre 15 e 21 de outubro, no sul da Bahia. A prova terá mais de 600km de distância e 13.000m de altimetria. A OCE competirá pelo título com os profissionais da Cannondale Powerhouse LT, Hugo Prado Neto e Lukas Kaufmann, que ficaram na 5ª colocação geral em 2016.

Antônio dá um conselho final para quem quem quer conseguir conciliar tudo, mas pensa que falta tempo. “Se eu puder dar um conselho a todos que de alguma maneira, sonham com algo semelhante e enxergam como muito distante, é apenas começar. Jamais será tarde para almejar. Durma e acorde com os seus sonhos, que você chegará aos pouquinhos mais próximo dele. Dê ao esporte de uma maneira geral, a atenção que ele merece. Você não precisa deixar de trabalhar pra isso e nem deve, mas precisa se reeducar e entender que sua saúde e a longevidade são sim, muito importantes”.