A maior ultramaratona das Américas, a Brasil Ride, também é feita por pessoas comuns, que trabalham todos os dias, têm família e vida social. Mesmo que a tendência da maioria dos atletas amadores seja pensar que é impossível percorrer quase 700 quilômetros nas trilhas mais difíceis da Bahia apenas com a força das pernas, essa competição prova exatamente o contrário. Com dedicação e comprometimento, tudo é possível.

Um belo exemplo disso é o do empresário André Di Carlos, que treina mountain bike na OCE há menos de dois anos e conseguiu vencer a categoria Corporativo deste ano. “Minha evolução no esporte foi muito bacana. Estava com 104 quilos e vim emagrecendo bastante, sobretudo no começo”, conta.

André tem uma empresa que beneficia vidros temperados, e como a maioria dos empresários, tem a agenda cheia. Mas isso não foi impedimento para que ele seguisse forte nos treinos. De acordo com ele, a rotina de esportes, no lugar de atrapalhar, acaba ajudando no trabalho.

“Acordo cedo, às 5h da manhã para treinar e tento chegar antes das 8h30 em casa. Tomo um banho e vou trabalhar. Chego no escritório por volta das 9h30. É possível conciliar as duas coisas. Na verdade, depois que eu passei a seguir planilha de treinos, isso me ajudou até a ser mais eficiente e mais organizado com a minha agenda. Me preocupo mais em não perder tempo”, explica.

Essa evolução constante e a sensação de harmonia faz com que pessoas como o André tenham desempenho acima da média em outros aspectos da vida, para a além do esporte. “Cada vez que você tem um resultado melhor, sua cabeça vai mudando. E o limite da performance também mexe com a gente. Eu quero ver até onde meu corpo pode chegar”.

O médico Cláudio Campolina participou da Maratona do Descobrimento, um evento paralelo ao Brasil Ride, que aconteceu no sábado, 21 de outubro. Ele ganhou a categoria Master A2 e ficou em quarto no geral. Ele conta que sua vida profissional gira em torno dos treinos, e não o contrário. “Eu inverto um pouco a lógica. Em vez de eu marcar os treinos de acordo com a minha agenda profissional, eu marco as cirurgias e as consultas, de acordo com os treinos. É sacrificante, mas o nosso tempo, a gente é que tem que fazer”, avalia Cláudio.

O arquiteto Antônio de Freitas treina na OCE há quatro anos e fez o BR pela primeira vez em 2017. Ele resume a experiência de forma bem clara: “Fazer o Brasil Ride é fácil. Difícil é treinar para ele”. Apesar das quedas e dificuldades técnicas durante os sete dias de competição, Antônio diz que a disciplina e o comprometimento nos treinamentos foram fundamentais para que a corrida fosse prazerosa durante todos os 700km.

“Terminar a prova e cruzar a bandeirada do sétimo dia, recebendo a medalha e camisa de finisher Brasil Ride foi um sentimento único e só nosso, difícil de ser narrado, mas que será guardado em nossos corações pra sempre. O slogan da prova é sem dúvidas o que ela representa, uma etapa em nossas vidas”, resume Antônio.