Artigo

Hugo Prado Neto*

*Atleta de elite há duas décadas. Já competiu profissionalmente em provas de triatlo, ciclismo de estrada e mountain bike. Além disso, é treinador e sócio-fundador da OCE, uma das maiores assessorias de treinamento de alta performance do Brasil.


A partir de agora, nós da Overthetop Consultoria Esportiva (OCE) faremos algumas análises de provas de nossos atletas com uma certa frequência para que o público em geral e atletas que têm interesse em saber como ocorrem as competições, e qual é o desempenho de um competidor profissional ou amador. Estas avaliações são uma ferramenta essencial para a evolução de qualquer atleta e são realizadas por nossos coaches para todos aqueles que treinam conosco. Além disso, acreditamos que isso contribui com a transparência e credibilidade do ciclismo. Nós defendemos, acima de tudo, a prática limpa de esportes de resistência.

Para toda análise existe um contexto específico da situação da corrida e do atleta, além das variações fisiológicas e sua percepção de esforço, tática e estratégia de prova.  No meu caso fui com a intenção de disputar o título, então alguns esforços para controlar a corrida foram inevitáveis.

A primeira análise interessante foi exatamente onde realizei os picos de potência de 20, 30, 40 e 60 minutos. Até 1h15min de prova não coloquei nenhum desses picos de potência, nem mesmo picos mais curtos.  Pela altimetria do GFNY, duas das serras mais longas – e que poderiam definir ou pelo menos selecionar o pelotão da frente – aconteceram entre 1h20min e 2h15min de prova.

 

Na falta de escaladas mais longas, enxerguei ali um momento importante de definição parcial de prova. Isso explica porquê os picos de potência estão nesse período. Nesse momento, o pelotão que continua por volta de 50 ciclistas, virou um pelotão de apenas nove.

Depois dessa parte importante da prova, metade do tempo previsto, tínhamos uma longa sessão de terreno relativamente plano e sem complicações, finalizando com uma serra mais longa no final.  Como havíamos passado neste mesmo local no início da competição, observei  as principais descidas (que se tornariam subidas na volta), para ver onde haveria situações interessantes para um possível ataque e uma possível fragmentação do pelotão. Antes da serra final e principal tínhamos duas subidas mais curtas.

Se notarem na tela abaixo, um ciclista do nosso pelotão de frente realizou ataques curtos em sequencia aleatoriamente, o que nos obrigou a ter um gasto extra logo antes da parte decisiva da prova. Foram seis tiros entre 600 e 700 watts em sequência.  Talvez o meu único erro tático durante a corrida foi o de tentar fragmentar o pelotão que considerava grande demais para aquele momento de prova. Apertei nas duas rampas que antecediam a última serra. Foram três minutos produzindo 428 watts, um esforço de 120% do meu Functional Threshold Power (FTP).

Este esforço está marcado no gráfico abaixo com um quadrado vermelho, onde é possível observar que, depois desta aceleração, mantive um passo forte e acima do meu FTP mas diminuí bastante para ter algo no tanque para responder a um possível contra-ataque.

Mesmo assim, no começo da última serra veio a aceleração que definiu por completo as primeiras seis posições. Para mim esse ataque custou 405 watts de NP por três minutos e isso não foi o suficiente para me manter no grupo. Não baixei a cabeça e mantive o meu passo que não foi de todo ruim.  Com 0,87 de Intensity Factor (IF) para uma prova de 4h33min, e ainda colocar os meus melhores 20 minutos nessa parte da prova 345 watts, um pouco abaixo do meu FTP.

 

Após a serra, foi impossível chegar nos líderes, pois o final da prova em descida e vento contra favoreceu alguns dos ciclistas que estavam à minha frente, altos, pernas longas, passo firme de contra-relogistas. Mas saio satisfeito com a prova e números.

Esta análise aprofundada só é possível com um medidor de potência.  Aprimorei muito a resistência à fadiga, o que significa uma menor queda de potencia no final de esforços longos, cruciais para esse tipo de prova e corridas de vários dias, como o Brasil Ride ou o Haute Route, por exemplo.

No gráfico abaixo vocês podem notar que eu tive um ganho de potência do começo para o fim da prova e não queda, o que é o mais comum.

Espero que tenham gostado dessa simples análise dos meus números com um contexto do que aconteceu no GFNY lá na frente, na cabeça do pelotão!  Quem estava lá pode refletir, comparar e tirar conclusões sobre como correu a prova em relação aos profissionais.

Números gerais

  • 6ª colocação geral
  • 38 anos
  • 63,5kg
  • 160km
  • 4:33hrs
  • 304w NP
  • Pico 20min 345w NP
  • Pico 1hr 336w NP
  • .87 IF
  • 4024kcal

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