No 3º capítulo da série Tudo o que Você Precisa Saber Sobre Medidores de Potência, falaremos sobre as vantagens e como é feita a análise de um treino com potência. Por décadas, os ciclistas amadores e profissionais realizavam e avaliavam seus treinos a partir de duas informações básicas: frequência cardíaca e percepção de esforço. Por mais que sejam extremamente úteis e utilizadas até hoje, essas variáveis não são tão precisas quanto a medição da força direta aplicada ao sistema de transmissão da bicicleta.

A frequência cardíaca pode variar dependendo do sono, alimentação e o estado físico do atleta. Além disso, ela nem sempre acompanha mudanças rápidas de estímulos, como em subidas curtas, por exemplo. Quanto melhor preparado o ciclista, maior será a diferença entre o aumento de esforço e a mudança do ritmo cardíaco.

Para transformar os dados básicos dos medidores de potência em informação útil, a OCE e as melhores equipes mundiais utilizam softwares como o Training Peaks e sua versão WKO4, a mais completa do mercado. O sistema na bicicleta gera um arquivo de computador que é analisado pelo software e transformado em gráficos e outros tipos de informação.

Esses softwares utilizam uma linguagem específica e é preciso compreendê-la para interpretar os dados.

FTP (Functional Threshold Power): é a potência máxima que o atleta consegue sustentar durante uma hora. Esse índice é fundamental para determinar treinamentos, pois é uma demonstração empírica da capacidade cardiovascular (VO² máximo) do ciclista. Ou seja, qual a sua capacidade de transformar oxigênio em energia para os músculos.

PMC (Performance Management Chart): em português, gerenciador de performance. É talvez o gráfico mais importante, que resume a carga acumulada de treinos e estress dos mesmos, acúmulo de fadiga e o TSB (training stress balance), que é o equilíbrio entre essa carga acumulada de treinos e o descanso. É um gráfico usado para acompanhar a evolução do atleta ao longo da temporada e fazer retoques e atualizações na programação futura dos mesmos. Ele projeto o futuro, dando assim uma excelente oportunidade a um coach experiente de passar a quantidade exata de treinos até o dia da competição.

Um exemplo de gerenciador de performance gerado pelo Training Peaks WKO4

TSS (Training Stress Score): é um índice calculado a partir da duração e da intensidade de um treino. É um indicativo de carga e estresse fisiológico do atleta. Por definição, uma hora pedalando em FTP, equivale a 100 pontos.

NP (Normalised Power): é a potência média corrigida, dá o real gasto metabólico em potência. É a quantidade de watts que o atleta manteria, se tivesse feito um esforço perfeitamente constante durante uma sessão de treinamentos. É um dos componentes do cálculo do TSS.

IF (Intensity Factor): o fator de intensidade é a função entre a potência normalizada (NP) e o limiar aeróbio funcional (FTP) do atleta durante um treino. Representa a porcentagem do treino comparado com o limiar de potência ou FTP. Serve para calcular quão intensa aquela sessão foi para o atleta.

FRC (Functional Reserve Capacity): é a quantidade total de trabalho durante um pedal contínuo acima do FTP. A grosso modo, representa um esforço majoritriamente anaeróbio, mas com participação do metabolismo aeróbio também. Esse índice é muito útil para avaliar esforços relativamente curtos, como provas de cross country olímpico (XCO) e de criterium.

Stamina: é medida da resistência à fadiga durante um esforço prolongado de intensidade média. É utilizado para avaliar a capacidade do atleta em esforços abaixo do limiar aeróbio funcional, por longos períodos de duração. Esse índice é útil para atletas focados em maratonas, ultramaratonas e grandfondos.

A partir dessas informações, os treinadores conseguem criar um perfil dos atletas e montar treinos específicos para objetivos diferentes. Dependendo da performance ao longo da temporada, é possível fazer adaptações nas sessões para não fadigar sem necessidade e atingir os picos de performance na época certa.

Os coaches da OCE são especializados nesse tipo de análise, e todos são ou já foram atletas. Portanto, são capazes de compreender profundamente as necessidades individuais e criar séries de treinos adequadas para todos os tipos de ciclistas.

Eles também estão capacitados para instruir sobre qualquer configuração e ajudar na escolha de um modelo de medidor de potência adequado às suas necessidades. A empresa também revende, a preços competitivos, sistemas das marcas Stages e SRM, as melhores marcas disponíveis no Brasil e no mundo.